DOIS PONTOS:

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RMachado
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terça-feira, 22 de março de 2011

ARTISTAS DE RIBEIRÃO BRANCO MANTÉM VIVA A TRADIÇÃO SERTANEJA





OSWALDO LEÃO (Ribeirão Branco/SP): A Orquestra de Violeiros de Ribeirão Branco apresentando a música Franguinho na Panela, do compositor Moacir dos Santos, na Escola Estadual Luiz José Dias, em Ribeirão Branco.
O grupo Raízes, também de Ribeirão, participa da III Festa do Milho de Capão Bonito, organizada pelo Grupo de Voluntários no Combate ao Câncer (GVCC) daquela cidade, tocando e cantando a canção Boiadeiro Errante, do itapetiningano Teddy Vieira.
Ambos os grupos resgatam a cultura musical de nosso país.

Para ver mais:
http://www.youtube.com/watch?v=LhXfllfcFbg (Orquestra de Violeiros – Rio de Piracicaba)
http://www.youtube.com/watch?v=CfvEOdMOrKw (Raízes – Esperanças Perdidas)





segunda-feira, 15 de novembro de 2010

SE ESSA RUA FOSSE MINHA (parte 1)


     As belezas naturais de Capão Bonito são várias, a se destacar os rios, cachoeiras, vegetação, além, é claro, do nosso Paranapanema, que cá nasce e pode carregar orgulhoso no correr do seu leito de vida o epíteto de rio livre de contaminação por todo o azar de materiais tóxicos que aos outros contaminam.
     Mas, como sempre existe um mas, um porém, um entretanto ou um todavia, não dá apenas para nos ufanarmos da qualidade irreprochável do ar que respiramos nem do nosso abilolado, adorável e charmoso clima (num mesmo dia é possível vivenciar todas as estações do ano e mais algumas...) sem que algo de chato e de constrangedor - para usarmos eufemismos - brote à luz do dia.
     Nossas belezas naturais, enquanto assim as deixarmos, serão sempre belezas e sempre naturais, o porém da questão diz respeito à certas (ou erradas?) feiuras artificiais plantadas pela mão humana.
     As calçadas capão-bonitenses são um claro exemplo de excessivo senso de propriedade particular, afinal, não são poucos os proprietários do município que, julgando ser a calçada uma extensão da propriedade, plantam as chamadas cercas-vivas e literalmente cercam para si essa área pública, impedindo ou dificultando a sua utilização pelos pedestres, os quais, em tese serão seus clientes prefenciais.
   Há ainda os casos em que o dono do terreno resolve 'ampliar' a propriedade às custas do passeio público, como isso fosse natural ou fosse a calçada simplesmente um espaço a ser ocupado pelo primeiro interessado. Tal forma de proceder, caso não a administração municipal nada faça para coibir, tende a se tornar deliberada e perigosamente generalizável, redundando em problemas tanto para os transeuntes como para a já maltratada e descuidada estética da cidade.

sábado, 19 de junho de 2010

IMAGEM DO DIA: DOMINGO NA FEIRA I

O homem negocia raízes, curas, ervas e a manutenção natural da existência. A alopatia parece não ter chegado por aqui - o que certamente soa como algo de positivo -, além de tudo isso, a criatividade dá lá seu olhar crítico-observador: essa galinha jurássica pendurada no ripamento da barraca é ou não, tal o cão e seu dono, a cara de um e o aspecto do outro.


FOTO: RMACHADO - 13.6.10

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

PONTOS OBSCUROS DO ACORDO ORTOGRÁFICO


UM CAUSO NEOCAIPIRA




— Nóis inda tamo ino…
— Puis nói d’já fumo i agora tamo vortano!
— Ataiaro por onde?
— Cortemo pur drento.
— Chééé! Pur drento nóis nunca cortemo; tem muita preda! Nóis ataia por riba.
— Nóis corta pur drento, num vai mais discarço, num semo jacu!
— Nóis tamém bamo tudo de carçado, mais é que as preda são munto lisa i arguma das criança pode levá um pialo…
— Intão, nesses causo, é mió segui pela tria batida memo.
— I as coisa lá na cidade, dero certo?
— Malemá…
— Pamóde o quê?
— ‘Móde que ninguém trabaia hodje. Só a Casa Santa i argumas venda tão aberta.
— Ché! I cumé qui oceis fizero?
— Fizemo do jeito qui dava pra fazê, ué!? Fumo inté a casa do home i batemo parma.
— Eles tava na casa ô forum vê o disfile?
— A dona Chiquinha, póve… Num consegue inxergá nem as picumã pur riba do fogão de lenha, i o mais pior é qui só iscuita si a d’jente chega a boca drento da oreia dela i falá bem arto.
— Ocê proseô cum ela?
— Chééé!!! Falei bem arto no pé da oreia dela, izpriquei qui nóis tava lá pamóde lavá as janela, cunforme nói já tinha cunvinado c’o Zé Nacreto.
— I ela, dexô oceis garrá a tarefa de cum fôrcha?
— Craro! Mandô nóis entrá pá drento i serviu um café cum leite beeem gordo i tomém uns pedaço de bolo de fubá. Tava disgranhento de bão!
— Chééé… A comade Chiquinha faiz um bolo de fubá inguar fazia minha finada vó… Caiporento de bão!?
— Nóis tava memo c’o a barriga nas costa; comemo e fumo lavá as janela!
— Mardiçoento rapaiz! Quiria tá lá c’oceis pamóde comê um taio do bolo de fubá!
— Mais num tava. Quem mando ficá bebeno inté munto tarde!
— Num é… Tava na venda do Ponciano, proseano c’os colega, falano da vida aieio… Ocê sabe qui o Ponciano é cheio de nove hora!
— Ocê, lavorento, que é cheio de nó pas costa! Enche o cu de pinga i dispois num consegue acordá antes dos passarinho! Tomô no fióte! Nóis lavemo as janela da muié e tamo vortano cum cinquenta merréis no borso i uns par de pedaço de bolo de fubá no bucho!
— E as janela, dero munto trabaio?
— Ché!? Fizemo a roçada rapidinho, parecia puxirão pá quebrá mio…
— Chééé! Mó de que d’jeito? A casa da muié deve tê umas mir foia de porta i umas mir janela!?
— Premero qui nóis num fumo lavá porta, i dispois, pamóde ocê pará de inchuânça, a dona Chiquinha num é atrasada inguar nóis i mandô o João Cráudio, um fio do Tonico Morgote qui é afiado dela, buscá lá no Tarzan um petrecho desses moderno, qui sorta um canudo d’água consoante um gaio de pau branco feito de durepóque!


xxxxx

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

PEDALAR PARA TENTAR FICAR ONDE ESTÁ



PROFISSÕES PERSISTENTESNem sempre se consegue ligar o nome à pessoa, quanto mais à profissão exercida por essa pessoa, mas, no caso do guapiarense Lauro Lima, como dissociá-lo da função?
Lauro, como alerta o sobrenome, é amolador de facas, alicates para tirar cutícula, tesouras e outros instrumentos que exijam fio de corte e rebolo, que é uma pedra redonda e própria para a atividade do afiar; outra definição para amolador, além da de dar fio a esses objetos cortantes citados, é a de importuno, aborrecedor e maçante, o que não cabe ao nosso entrevistado, que permanece sereno – quase obtuso – no ato da amolação.
Dos seus 48 anos de idade, vinte já são dedicados à profissão, a qual, conforme suas palavras “aprendeu exercitando a curiosidade”; hoje em dia, afirma, o mercado não é dos melhores, quase ninguém tem a necessidade de afiar nada, pois tudo pode ser adquirido nas lojas que vendem produtos Made in China ou ao preço de um real. Não se coloca em discussão a qualidade desse material vendido a ¾ de dólar, porém, a clientela tradicional desaparece, como se esmerilhada estivesse sendo a profissão.
Nômade, Lauro conta que fica aproximadamente uma semana em cada cidade da região, vagando por Capão Bonito, Itapeva, Buri, Guapiara, Ribeirão Grande, Ribeirão Branco e outras – apenas São Miguel Arcanjo, por estar situada ‘fora da rota’, não é privilegiada com a visita desse afiador viandante.
Inquirido sobre o que ainda se afia atualmente, disse que são os alicates das manicures que garantem o seu sustento.
CANETA HIDRATANTE: A publicitária, designer e empresária capão-bonitense Daniele Honorato, 27, que mora na capital paulista, onde mantém seus negócios, após estudos de mercado, pesquisas para desenvolvimento do produto e contato com a indústria de cosméticos, lançou recentemente a caneta hidratante para cutículas, pois, segundo a também blogueira Daniele, além de o mercado carecer desse tipo de produto, o ato de tirar a cutícula prejudica a unha e a deixa fragilizada.

Alheio às inovações tecnológicas e imune à síndrome do high-technismo, Lauro Lima se prepara para atender as cidades sob sua jurisdição profissional, levando consigo o cantar característico do rebolo de esmerilhar e de sua bicicleta sem pressa de partir nem hora para chegar...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

SINGULAR OPORTUNIDADE PARA SE TOMAR CONSCIÊNCIA




ORGULHO DA RAÇA – Erê, no idioma iorubá, segundo a Wikipedia, quer dizer 'brincadeira, divertimento'; nos antigos Aurélios - e também no Aulete - a palavra traduzia uma interjeição comum entre os índios e os caboclos da região amazônica e queria exprimir espanto, surpresa, alegria ou mofa, já a versão atual do Houaiss traz a definição de "ser espiritual infantil particular de cada iaô que costuma nela encarnar após os transes de incorporação do orixá de que ela faz de sacerdotisa."; para o presidente do Erê - Grupo de Consciência Negra da cidade de Capão Bonito (SP) Raimundo de Jesus, que nos traduziu o termo como sendo 'criança' em urubá, é imprescindível que a população compreenda que os negros foram e são parte essencial na costura da grande colcha de retalhos cultural que é o Brasil.
O objetivo do grupo, segundo seu presidente, é o de conscientizar a sociedade da importância da cultura negra e também o de resgatar alguns valores humanos básicos, como o respeito ao próximo, pilar da convivência harmoniosa entre os povos e da liberdade.
Carmem Silvia Pereira Polississo, que faz parte do Erê desde a sua criação em 2007, diz nunca ter sofrido qualquer tipo de preconceito de origem racial, afirma, no entanto, ser exceção à regra e alerta para a necessidade da conscientização dos próprios negros da cidade - que seriam poucos e dispersos - sobre a importância do grupo para aumentar as conquistas e também a autoestima da raça; para isso, a cada quinze dias os membros se reúnem para discutir temas importantes à negritude e também para preparar eventos como o realizado no último dia 20, em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra, quando o grupo realizou o segundo concurso para eleger a beleza negra masculina e a feminina da cidade.

Em 2008, ao atender o chefe do poder executivo de Capão Bonito, a Câmara Municipal votou e aprovou a lei nº. 3153, instituindo feriado municipal em ato complementar ao previsto na lei federal nº. 10.639 de 9 de janeiro de 2003, que incluiu a data no calendário escolar, além de tornar obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Gerson Hussar, atual presidente da Câmara capão-bonitense, em discurso durante o evento lembrou que até então havia apenas o ponto facultativo, o que não configurava nem mostrava o espectro de importância merecido pelos brasileiros afrodescendentes.
Na prática, infelizmente, de acordo com as palavras de Carmem Silvia, o que se conseguiu foi um 'feriado de papel', pois o presidente da Associação Comercial e Industrial de Capão Bonito (ACIAP), advogando em favor dos comerciantes da cidade junto à administração municipal, teria convencido o prefeito Julio Fernando Galvão Dias (PR) a relaxar o feriado, permitindo que o comércio abrisse as portas conforme a própria consciência, ou seja: transformando a comemoração em respeito à importância da raça negra numa espécie de ponto facultativo de luxo.
Polêmica, Carmem Silvia lembrou que a afirmação feita pelo presidente da ACIAP, alegando que o comércio da cidade não suportaria uma nova data de portas cerradas, não reflete a verdade, pois, para ela, o êxodo de consumidores que ocorre no final de ano tem relação principalmente com os preços praticados no varejo da cidade, não com fechamento dos estabelecimentos comerciais. Para Carmem, melhores preços e investimento da associação comercial na data só tem a trazer dividendos para os negociantes da cidade, já que as semanas anteriores aos eventos comemorativos ao 20 de novembro poderiam levar a população às compras.
Os vereadores apresentaram sua posição enviando extensa carta para a Redação do jornal local O Expresso, publicada no dia 21, onde expõem sua posição a favor da criação do feriado, porém, destacam o artigo 1º da lei 2327, que permite horário de livre funcionamento para as atividades comerciais e de prestação de serviços no município; ainda conforme a correspondência assinada por oito dos nove titulares da Câmara, esse artigo "simplesmente libera todos os comerciantes a trabalharem todos os dias 24 horas se assim quiserem.". Já o presidente do Erê afirma ter sido positiva a iniciativa do legislativo municipal e salienta que houve aproximadamente 50% de adesão dos comerciantes à comemoração da data, mas lembrou que é preciso persistir em conseguir que haja a plena consciência da importância das discussões envolvendo os temas de interesse comum.
Alheios às disputas entre legisladores, executivo e associação comercial e comerciários, os concorrentes desfilaram sua negritude na quadra da entidade Legionários em Defesa do Menor (LDM) onde foi armado palco para a realização do concurso de Miss e Mister, ponto alto do evento que teve também dança do ventre, capoeira, poesia e outras manifestações culturais.







Dois Pontos (análise): Os consumidores burienses, quando do recebimento do salário, aposentadoria, Bolsa Família e outros benefícios, lotam os ônibus que fazem a linha circular até Itapeva, onde vão às compras. Cabe salientar que a distância entre Buri e Capão Bonito é aproximadamente 10 quilômetros menor que a distância entre Buri e Itapeva.
Qual a razão, então, além de Itapeva ser a sede da Comarca do vizinho município?
A razão, segundo as pessoas entrevistadas nos terminais rodoviários e nos apinhados ônibus são basicamente duas: preços mais acessíveis e grande variedade de lojas e produtos. Ora, se seguirmos essa lógica buriense - que bem exemplifica o afirmado acima pela entrevistada - poderemos até considerar que a celeuma criada em razão da instituição do feriado em comemoração à data máxima para os brasileiros afrodescendentes é, para se dizer o mínimo: desnecessária e constrangedora; além de um erê de mau gosto.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

...NEM SEMPRE O ESPETO É DE PAU



PROFISSÕES PERSISTENTES - Registros afirmam terem sido os Hititas, povo que há aproximadamente quatro mil anos estendeu um império do Mediterrâneo até perto do Mar Negro, os primeiros a dominar a técnica de manusear e manufaturar o ferro – mais difícil, porém, mais rico em possibilidades que o bronze, metal até então utilizado em larga escala na confecção de armas, esculturas, objetos religiosos, artefatos de cozinha e outros.
1200 anos antes de Cristo, mesmo com permanência do bronze como metal nobre e quando da derrocada do império Hitita, acredita-se que todo o conhecimento tecnológico mantido protegido durante séculos atrás das muralhas de Karatepe, foi espalhado às culturas vitoriosas, chegando até outros povos e, seguindo os caminhos da própria História, até os gregos (Homero, na Ilíada, cita uma ‘esfera de ferro’) e os romanos, que desdenham da têmpera ruim dada pelos celtas às suas espadas, sugerindo que estes não conseguiam agitá-las mais que três vezes sem a necessidade de pisarem-nas para refazer o molde do aço de inferior qualidade.
A profissão de ferreiro é milenar, e sofre, assim como sofrem outras atividades profissionais, com a concorrência dos tempos, com os arbítrios da modernidade – aquela senhora que se acha mocinha e que dita as regras que logo adiante serão revistas por outra senhora ainda mais mocinha e inexperiente –, a tudo e a todos...
O ferreiro mais jovem que encontramos em Capão Bonito tem 58 anos e está na profissão desde os 13, é José Dirceu de Oliveira, quase homônimo do ex-homem forte do governo Lula; Dirceu, como é popularmente conhecido, destoa dos demais companheiros de profissão, pois, apesar do momento econômico e da realidade que empurra todos para o valo comum da desesperança – quase desespero –, afirma não encontrar dificuldades em dar andamento à profissão; diz ter se adaptado aos novos tempos e, para isso, mostra as cruzes construídas para o período de Finados que se aproxima, os cestos para pesca, os bicos de arado tão comuns a outros tempos, a betoneira que orgulhosamente fabricou a partir de um exemplar fornecido; porém, assim como todos os outros entrevistados, afirma que os mais jovens não mostram interesse na prática da arte de ser ferreiro.
O clã dos Galvão é um capítulo à parte na história dos ferreiros capão-bonitenses. Herculano de Barros Galvão tem 93 anos, um ano a mais que Benedito Galvão e o primo Narciso; todos os três militaram ou militam na arte da ferraria; e todos os três estão vivos e lúcidos, o que nos leva a concluir – apesar de não haver registro científico – que a profissão de ferreiro é sinônimo de longevidade. Dos Galvão, desses de vida galvanizada, pode-se encontrar ainda alguns dos mais jovens na mesma labuta; um deles está, ao longo dos seus 65, há 52 anos na profissão de malhar o ferro para torná-lo útil de outra forma. Quando chegamos para a entrevista fabricava uma churrasqueira construída a partir de peças de louça sanitária, mostrando que arte e sustentabilidade caminham juntas. O que movimenta esse Galvão nos dias de hoje não são os trabalhos corriqueiros de confeccionar bicos de arado, foices, martelos ou machados, apesar do fato de que, durante a entrevista, um cliente trazer duas foices para recuperação, stuação que resultou numa brincadeira tipicamente gameleira, sugerindo que as ferramentas foram propositalmente quebradas para a não realização do trabalho.
Outro ferreiro – e que aqui tão bem cabe a alcunha de fenômeno –, de sobrenome Hussar, que em pleno em bom português quer significar (s. m.) ‘cavaleiro húngaro’; ‘gentil-homem polaco’, ‘soldado da cavalaria ligeira na França e na Alemanha’, forja o aço com qualidade invejável pelos que conhecem uma boa ferramenta. João hungarês, como é conhecido, mostra orgulhoso as invenções que o colocam – e isso de maneira natural – em sintonia com os novos tempos e, ao mesmo tempo, mostrar que as boas ideias e as novidades podem ser tão antigas quanto a própria necessidade.
João Hussar é, por excelência, um inventor; diz ter em sua oficina, pelo menos, sete ajudantes; os quais, ao que parece, não se queixam da dureza do trabalho, da carga horária nem do holerite no fim do mês, pois são ferramentas desenvolvidas para o bom andamento da função.
Pode até existir os que discordem da sua forma de pensar, mas é impossível não acreditar na sua forma de entregar-se ao trabalho, o qual, segundo suas palavras, deixou muitas marcas ao longo dos anos, algumas bastante nocivas, como a perda de movimentos na mão direita, que o obriga a exercícios quase pirotécnicos para executar uma função até mesmo simples para qualquer outro, porém, ao acompanhar os estalidos provenientes das suas engenhocas, a cumplicidade do som que o acompanha desde o raiar dos dias, é mesmo muito difícil de pensar que a vida tenha outra melodia.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

MÓ DESCANSA SOB O SOL DA CIDADE


ARQUITETURA - Na região central da cidade, uma mó (dicionário e Google existem para esclarecer dúvidas...) repousa seu descanso eterno; a grama cresce – apesar de a colocação da mó parecer ter sido estudada para dar riqueza à vista da casa, a qual possui um arranjo pouco usual para os padrões da cidade – na mesma proporção que o descuido com o patrimônio histórico e cultural da cidade.
Esse comportamento não é privilégio deste ou daquele governo, pois, com exceção apenas naquilo que toca ao ‘grau de negligência’, todos os administradores que passaram (há os que apenas ‘passearam’...) pelo palco do paço municipal nos últimos 150 anos, estabeleceram outras as prioridades, esquecendo que um povo sem cultura é um povo sem memória nem alicerces, e que um povo sem memória nem alicerces é incapaz de vislumbrar ou projetar seu futuro.
As casas de taipa – há lá as que ainda resistem! – continuam a vir abaixo para dar espaço para empreendimentos imobiliários que irão descaracterizar ainda mais o centro da cidade, transformando-a numa cidade de estranhos.
Recentemente a Rua Direita acompanhou um desses abates arquitetônicos e não se ouviu nenhuma voz em favor da preservação – fosse a voz de entidades do terceiro setor, fosse a voz do gestor público. Há cidades onde o patrimônio histórico e cultural recebe incentivo para a sua preservação, Curitiba é um desses bolsões. A falta de política pública, privilegiando os proprietários – ou empresas – que viessem a cuidar dos prédios, praças, logradouros, museus e outras instalações com características peculiares às Capão Bonito que se fizeram ao longo dos anos, faz com que esses mesmos proprietários coloquem abaixo ou desfigurem essas instalações, transformando-as em monstruosidades pós-modernas, aberrações esquecidas pelos corredores do século 21.
E isso, infelizmente, é mesmo uma pena...

sábado, 19 de setembro de 2009

VERSOS GAMELEIROS PARA DOWNLOAD

LITERATURA - A coletânea poética Versos Gameleiros foi lançada no início de 2009 e contém a obra de 11 autores capão-bonitenses - nativos ou não. É a primeira fase do projeto filantrópico e cultural idealizado pelo professor, poeta e cronista Juraci Braz das Chagas.
Do total impresso, 200 exemplares da obra foram doados para o Grupo Voluntário de Combate ao Câncer (GVCC) de Capão Bonito e 100 livros ficaram para os autores.

Para fazer o download é só clicar no link 'Versos Gameleiros' abaixo, quando abrir a página do site onde o livro está hospedado, clicar em 'get file' e aguardar até que o arquivo abra no Adobe Acrobat Reader (se o seu computador não possui o programa: clique aqui). Assim que o programa reconhecer o arquivo é só ir até o menu Arquivo e Salvar Como.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

"...DAQUI D'ALDEIA!" ON RADIO



Nas ondas do rádio A crônica 'Julho' de Antonio Isidoro de Oliveira (Poli), peça integrante da coletânea "...daqui d'aldeia!" - a crônica capão-bonitense, obra que reúne 9 autores daquele município, foi anunciada nas ondas do rádio, mais especificamente na Rádio Bandeirantes.
Preparamos uma montagem com diversas imagens da cidade - material utilizado na construção do livro -, que foi doado para o Centro Recreativo Educacional e Artístico Renascer (CREAR), entidade que atende aproximadamente 250 crianças e adolescentes de Capão Bonito/SP.
Cultura Social Um projeto filantrópico e cultural iniciado com a publicação da antologia poética 'Versos Gameleiros', a qual reuniu 11 poetas gameleiros (carinhoso apelido dado aos nativos da localidade) e direcionou 200 livros para o Grupo Voluntário de Combate ao Câncer (GVCC); assim, de acordo com o professor - poeta e cronista - Juraci Braz das Chagas, idealizador, o projeto atende a dois objetivos: auxiliar entidades que executam trabalhos de interesse social e coletivo e divulgar os textos de autores locais.
Resgate "...daqui d'aldeia!", além de prestigiar autores novos, também resgatou o trabalho de Antonio Benedito de Queiroz (Queirozinho) e Dulce Guimarães, ambos já falecidos, mas donos de textos bastante versáteis, o primeiro pela acidez e sagacidade e a segunda pela leveza e sensibilidade.
Apoio: Para colaborar com o CREAR basta adquirir um exemplar nas bancas de jornal, nas livrarias da cidade ou na própria entidade, situada à Rua Jorge V. Cruz, nº 70, na vila Aparecidinha, ou pelo fone (15) 3543-1450.

LIVRO EM VERSÃO DIGITAL (PDF)

Eis a versão digital do livro de crônicas capão-bonitenses (SP), para fazer o download é só clicar no link abaixo, quando abrir a página do site onde o livro está hospedado, clicar em 'get file' e aguardar até que o arquivo abra no Adobe Acrobat Reader (se o seu computador não possui o programa: clique aqui). Assim que o programa reconhecer o arquivo é só ir até o menu Arquivo e Salvar Como.


domingo, 9 de agosto de 2009

QUASE MEIO SÉCULO DO SONHO DE UM COLIBRI DE TAMANCOS



Desde que Pedro Vilarino Ferreira (1919 - 1986), o Cuitelo, criou o grupo de Fandango de Tamanco, em 1964, já se vão 45 anos de colibris, tangarás e laranjeiras. Presença constante no Festival do Folclore de Olímpia/SP, o grupo vem se renovando e tem tudo para atingir a marca de meio século de existência dentro em breve, uma vez que a nova geração, os neocaipiras, cuidam com zelo e disciplina de manter viva a chama acesa por aquele beijador de flores há mais de 40 anos.
Naqueles outros tempos não havia muitos fan-dangueiros, ou, os que existiam estavam espalhados pelos diversos bairros da zona rural do município de Capão Bonito, assim, segundo Diogo Silva, sempre quando das festas religiosas, casamentos, mutirões (puxirões) e outros eventos de caráter social e coletivo, havia a convocação para que este sanfoneiro do bairro de Ana Benta comparecesse, também aquele violeiro do bairro dos Gomes se fizesse presente, além deste fandangueiro do Ferreira dos Matos, aqueloutro do então distrito de Ribeirão Grande levasse a fé, os pés e a coragem para a labuta na tarefa ou apenas para o lazer da comunidade. Dessa forma, sendo para o trabalho numa puxada de enxada, numa furiada para levantar uma casa de pau a pique, para uma Folia de Reis ou para celebrar um casório na roça, lá iam os músicos e os artistas com seus tamancos feitos de laranjeira – sim, porque à exceção de laranjeira e canela, outras madeiras não possuem a resistência ideal e acabam por rachar ante as primeiras tamancadas. A celebração acontecia de acordo com o evento programado, ou seja, no caso dos mutirões, ao final da empreitada o dono da propriedade beneficiada servia refeição aos presentes, sempre regada às folganças dos queromanas, violas e pés-de-bode (sanfona de oito baixos).
A origem da variação brasileira dessa dança espanhola possui diversas – e até controversas – explicações, sendo, porém, das mais aceitáveis a que atribui aos tropeiros oriundos do Rio Grande do Sul e seguindo em direção à Feira de Muares em Sorocaba/SP o pouso e posterior enraizamento da dança. Algumas características sutis que a complementam fortalecem essa possibilidade gaúcha, pois, o próprio termo 'queromana', palavra caída em desuso nos dias de hoje e por isso dificilmente – ou sequer – encontrada nos dicionários mais recentes da língua, aparece nos exemplares anteriores à reforma ortográfica de 1970 com hífen e a definição que segue: “Quero-mana, s. m. (Bras. Sul) Antigo bailado campestre, espécie de fandango; canto popular que se executa ao violão.”.
O grupo de Fandango de Tamanco Cuitelo de Ribeirão Grande talvez seja o único exemplar em atividade dessa modalidade de dança tipicamente caipira e de cunho social. Diogo conta que noutros tempos existiam outras agremiações de fandangueiros em Capão Bonito, onde a participação de mulheres era algo bastante comum, ocorre, porém, que com o passar dos anos esses grupos foram perdendo seus integrantes devido à falta de interesse dos mais jovens, ocasionando o envelhecimento e consequente desaparecimento desses grupos mistos de fandango.
As coreografias, o repertório, o figurino e, de certa forma, a hierarquia dentro do grupo de fandango também constituem esse todo. Diogo, que diz ter se interessado por essa manifestação popular em 2006, por intermédio da comissão de Arte e Cultura do Projeto Geração – Capão Bonito/SP, conta que o figurino oficial do fandango do Cuitelo é composto, além dos tamancos, é claro, pelo chapéu de palha, a camisa xadrez azul e branca e o lenço no pescoço, o qual, segundo afirma, representa os beija-flores em sua grande variedade de tons e cores, daí o fato desses lenços serem amarelos, verdes, azuis, posto que tudo depende do gosto individual de cada fandangueiro. Quanto ao repertório, basicamente são queromanas criados de improviso e seguindo a tradição (“No repique da viola, bate a mão e bate o pé...”), quando os cantadores atiçavam uns aos outros com cantigas para chamar à dança e, quase sempre, à resposta cantada; quem basicamente gerencia essa evolução é o mandadô, que recicanta as ordens para o restante do grupo, o qual, devidamente ensaiado, atende aos diversos chamados, entre eles um “Todos sabem como é...” ou “Tô na viola, não vô mais...”, além de outros tantos utilizados para comandar algumas das coreografias tradicionais: luxinho no lugar, luxinho batido, volta inteira, tangará e cortesia. Uma das curiosidades sobre a coreografia do grupo fica por conta da Tangará, onde os fandangueiros imitam a maneira de como esses pássaros cantam e 'dançam' trocando de lugar; já com relação à Cortesia, a característica principal é que o sapateado é executado com os pés batendo para trás - trata-se de uma dança final, de agradecimento.
Há histórias de festas onde os fandangueiros varavam a noite dançando e chegavam mesmo a trocar de camisa tamanha a transpiração e o suor impregnados na roupa; ainda hoje, atesta Antonio Silva, pai de Diogo, sempre que o grupo se apresenta no bairro de Ferreira dos Matos, a nostalgia e a tradição fazem com que o evento tome exagerados ares de jogo da seleção brasileira de futebol ou coisa parecida, uma vez que os aplausos calorosos e as lágrimas incontidas dão a tônica ao acontecimento.
A Associação da Cultura Caipira 'Cuitelo', de Ribeirão Grande, assim como outras entidades do município e da região, está empenhada no conhecimento, no resgate, na divulgação e na manutenção desses valores da cultura caipira. De acordo com Diogo, esse trabalho inclui também eventos em conjunto com outras associações interessadas no tema.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

CRÔNICA DE UMA QUEDA ANUNCIADA



No mês destinado ao Meio Ambiente, nada mais justo que sejam prestadas as devidas homenagens – mesmo que póstumas – à velha paineira, provavelmente uma Ceiba speciosa, antiga referência capão-bonitense, nascida, crescida, criada – e abatida – na divisa entre os bairros Cruzeiro e Nova Capão Bonito, porém, muito antes do nascimento de qualquer um desses mesmos aglomerados habitacionais.
A data de nascimento da velha árvore é uma incógnita, mas há quem afirme ter aquele gigante vegetal mais idade que a própria emancipação política e administrativa do município, acontecida em 1857, sendo daí possível um número que ultrapasse os 150 anos de flores e algodões. No entanto, qualquer consideração a respeito de datas, anéis, dados e fardos não tem a menor relevância no momento, não importa se a velha paineira tinha 25 ou 250 anos, também não existe vantagem alguma em saber que a Defesa Civil determinou a derrubada a fim de preservar as construções vizinhas à arvore, afinal, emprestando certo adágio ditoso: a cor do burro não é o primordial, desde que o animal execute o serviço para o qual se o pressupomos preparado.
Fato irrefutável é que vimos paulatinamente colocando abaixo resíduos e resquícios da nossa própria história, a história que contaremos aos netos e para a qual não teremos quaisquer provas materiais, uma história de ignorância e omissão.
Não se pode apontar o dedo para este ou aquele e o atirar na vala comum dos culpados, mesmo porque todo o processo foi executado dentro do que prevê a legislação, segundo o proprietário do terreno, mas a falta de política pública e a pouca consciência cultural e ambiental devem ser chamadas para depor.
Tivesse a árvore uma despedida digna e um Atestado de Óbito – apesar de ser mais adequado o preenchimento de um Boletim de Ocorrência, em cujo campo destinado aos agressores deveria constar: grande parcela da comunidade, a ignorância o descaso e a omissão – o espaço destinado à data de nascimento seria preenchido com uma interrogação; a data de falecimento: 25/02/2009; o horário: 17 horas. No mesmo documento, a título de informação complementar, a quem de interesse, a observação de que deixou quase 47 mil orfãos e seus descendentes.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

LIVRO DE CRÔNICAS EM VERSÃO 'PDF'

SERVIÇO: Eis a versão digital do livro de crônicas capão-bonitenses (SP), para fazer o download é só clicar no link abaixo, quando abrir a página do site onde o livro está hospedado, clicar em 'get file' e aguardar até que o arquivo abra no Adobe Acrobat Reader (se o seu computador não possui o programa: clique aqui). Assim que o programa reconhecer o arquivo é só ir até o menu Arquivo e Salvar Como.